O ecossistema de startups no Brasil amadureceu por olhar para dentro. Mas o que isso quer dizer?

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O Brasil, mesmo vivendo um momento de instabilidade econômica, caminha para ter sua primeira startup unicórnio. O termo é designado para startups que atingem o valor de mercado de 1 bilhão de dólares. Dentro do que podemos chamar de hall das unicórnios, temos empresas como Pinterest, Spotify, Airbnb, Snapchat e Uber.

  Contexto

Segundo matéria publicada na revista Exame, a Movile, startup brasileira que oferece plataforma para e-commerce e conteúdo móvel está perto de bater a marca de 1 bilhão de dólares, o que colocaria o Brasil no radar internacional de startups. O não tão distante marco representa um amadurecimento do ecossistema brasileiro de startups, que hoje conta com mais de 800 aceleradoras que juntas investiram mais de 50 milhões de reais, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). Para o presidente do Nubank, David Vélez, a grande mudança foi no mindset do empreendedor.

   Mas o que é esse olhar para dentro?

Antes, o jovem empreendedor olhava para os EUA, território majoritário das unicórnios, clonavam modelos e o aplicavam cegamente aqui, em um país com cultura, contextos e problemas diferentes. Enquanto que hoje, olhamos para dentro. Mas o que é esse olhar para dentro? Significa que, ao invés de encarar o público como um alvo a ser atingido (expressão utilizada no marketing como “público-alvo”) e pensar somente na gestão com o caráter “técnico-administrativo-financeiro”, os gestores começaram a pensar em seu público como pessoas dentro de um mundo com problemas e paradoxos.

Pessoas com emoções, medos, sonhos, anseios e frustrações. Com isso, aumentou a compreensão do contexto sociocultural e as estratégias ficaram mais alinhadas com a realidade, oferecendo produtos e serviços mais adequados e com maior percepção de valor.

Que resolvessem de fato o problema do público. Essa grande mudança de mindset permitiu com que nossas startups se aproximassem – em termos de cultura empresarial – das unicórnios como a Uber que, por exemplo, com seu sistema eficaz, digital e transparente de avaliação e prestação de serviço rapidamente conquistou a população. Uma cultura que pensou nos problemas do usuário em relação a mobilidade urbana. Bons exemplos também foram Netflix e Spotify, que entraram no mercado fonográfico com praticidade e preço justo, interpretando que as pessoas não possuíam mais o hábito de alugar filmes e consumir conteúdo físico. Muito menos pagar um CD inteiro para ouvir só algumas músicas.

# Insight: Tem uma startup ou está procurando montar?

Guia de Inovação

   Futuro

Apesar da crise financeira, o amadurecimento do cenário de startups anima os novos empreendedores. A estrutura para empreender é melhor, mesmo que que não seja o ideal. Cada vez mais aumenta o número de aceleradoras e seus investimentos.

A economia criativa é um dos pilares do marketing 3.0. Cada vez mais o gestor brasileiro consegue olhar para o usuário e resolver de fato o seu problema, ao invés de clonar modelos americanos e aplicar sem empatia, esperando ter os mesmos resultados numéricos. É necessário colocar o foco no usuário. Investir em relacionamento, pesquisas de comportamento e tendências. Já existem empresas que aboliram termos como b2b (business to business) e b2c (business to consumer) e pensam em h2h (human to human).

Com estruturas enxutas, transparentes, escaláveis e com o pensamento humanizado, as startups brasileiras caminham para o reconhecimento no cenário global.

 

Texto: Gabriel Dias, Smart Gorilla
Parceria: GorillaBrandwww.gorillabrand.com.br

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