empresario

Mencionei num post ha um tempo atrás que certa vez eu quase paguei pra trabalhar pra uma empresa maior que a nossa. Da pra entender o quão bom eu era em negociar deals para a empresa. Quando era criança, troquei uma camisa do Flamengo Oficial por uma caneta com cheiro de tutti-fruti na escolinha. LOL — eu sei, eu não entendia direito o conceito de valor, brother.

Nos meus anos empresariando ficou cada vez mais claro o seguinte mantra “eu negocio, tu negocias, eles negociam”. Quem não negocia está sendo idiota. Mas como aprender a fazer isso, sendo um mentecapto como eu era? Muy simples, no meu caso, uso as seguintes perguntas:

  1. Estou confortável com os termos apresentados — eticamente, financeiramente e ideologicamente falando?
  2. É justo com todas as partes?
  3. O problema principal que me levou a negociação está sendo resolvido completamente?
  4. Se eu aceitar os termos o resultado será positivo, gerando boas amizades, bons negócios e bons resultados?

Se todas as respostas forem SIM, maravilha. Negociação ta perfeita pra fechar. Se alguma for NÃO, pulo fora. “Mas Imperador, como assim?”

Ponto #1: Estou confortável com os termos apresentados — eticamente, financeiramente e ideologicamente falando?

A melhor forma de analisar este ponto vai do instinto, sinceramente. Pra mim, sempre me pergunto se o deal que estou fazendo poderá ser contado pra outras pessoas abertamente, se vou poder dormir tranquilo depois de aceitar a proposta, se estou sendo correto com todos os stakeholders envolvidos na negociação, desde sócios minoritários, colaboradores, acionistas, parceiros e etc. Exemplo disso foi negociando com um grupo certa vez, desses que se dizem super éticos e que postam textão no facebook contra a corrupção, recebemos a noticia que só teríamos um contrato fechado somente se pagássemos 15% de “comissão de aceitação”. Dá pra imaginar a resposta que demos?

Ponto #2: É justo com todas as partes?

Se o mínimo pentelho de dúvida surgir quanto a isso, se prepare pro oceano de merda. Pela Lei de Murphy, “whatever can happen, will happen”, e a chance de você receber um back-fire é grande. Desde pessoas que assinam sem saber e se sentem traídas e depois falam mal pra caralho de você no mercado, ou que depois querem resolver na justiça, ou que dão pra trás no ultimo minuto e você sabe como o filho da puta da história. Graças a Deus, nenhuma experiência pra contar nesse lado.

Ponto #3: O problema principal que me levou a negociação está sendo resolvido completamente?

As vezes na negociação a coisa mais básica acaba se perdendo em meio a idas e vindas. “Por quê to negociando isso?” — Dinheiro, poder, cliente, cartela, parceria, seja lá o que for, KNOW YOUR WHY. Se você precisa de capital de um investidor e precisa de R$100.000,00 pra fazer algo, não adianta trazer ele pro board só pra ter agregado o conhecimento do mesmo, tem que ter grana. Se você quer ter controle de uma empresa e precisa de 51% pra isso, não adianta te darem 50%. Desconto de 20% na proposta final, dá lucro que eu quero ou não? Aqui na empresa qualquer deal que é negociado tem que atingir o objetivo que estamos mirando. Do contrário é um deal mal feito. Pode parecer simples de entender isso, mas só quem negocia com gente violenta entende o que estou falando. Já cansei de me flagrar em situações onde eu quase fui enrabado por um bom negociador e ao lembrar dessa premissa básica, me safei.

Ponto #4: Se eu aceitar os termos o resultado será positivo, gerando boas amizades, bons negócios e bons resultados?

Meu sócio Eduardo que trouxe essa pergunta pra minha mesa. O resultado de toda negociação tem que gerar bons negócios, boas amizades e bons resultados, do contrário não vale o esforço. Garantindo isso temos parcerias de longo prazo e recorrência em bons deals. Mercado é pequeno demais para se queimar, meu amigo. Precisa-se de apenas um HATER para ter riscos de perder boas oportunidades de negócio.

Não seja estúpido, negocie justo, limpo e transparente.

 

Leia também –> #1 Não sei escrever mas virei empresário 

                           #2 Não sei escrever mas virei empresário (É trabalho do CEO, animal)

                           #3 Não sei escrever mas virei empresário (Regra do primeiro soldado, o melhor termômetro da visão do negócio — parte I)

                          #4 Não sei escrever mas virei empresário (Regra do primeiro soldado, o melhor termômetro da visão do negócio – parte II)

                          #5 Não sei escrever mas virei empresário (Eu preciso de futuros sócios, não de funcionários)

                          #6 Não sei escrever mas virei empresário (Perseverança rima com “socorro, to quase morrendo” mas é uma delícia)

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