empresario

Era algo em torno de 2009/2010 e eu e Eduardo resolvemos que era a melhor coisa do mundo ir fazer negócios em São Paulo. Nós não tínhamos clientes pagantes na época no Rio de Janeiro, bando de pobretão do caralho, achamos melhor dar um pulo por lá. Fizemos estratégia de email e telefonema kamikaze com um monte de gente. A galera da MacMais, revista de tecnologia voltada pra Apple, o Mundo Canibal e uma penca de outras empresas. Acabamos marcando algumas reuniões lá e numa bela noite, eu e Eduardo saltamos no ônibus e aparecemos na terra da garoa. Fechamos o joguinho do Avaiana de Pau e a Edição de Aniversário da MacMais que iria para iPad. Dois projetos simultâneos, coisa que nunca tivemos antes, e que sabíamos que não íamos dar conta.

Na época, uma amiga chamada Carolina, me procurou na UFF e disse que tinha um garoto meio doido que tinha tentado estágio em alguns laboratórios da universidade mas ninguém queria dar espaço pra ele por ser muito novo, de período baixo. Eu bati um papo com ele, disse que não tínhamos um puto sequer pra pagar a nós, nem a ele, e disse que ele poderia usar nossos Macs para aprender a programar qualquer coisa que ele quisesse. Nós iríamos mentorá-lo enquanto ele desenvolvia seus estudos e aprendia a ser um programador melhor. Tínhamos feito ali a nossa “primeira contratação”.

Caralho, que moleque esforçado. Ele entregava tudo aquilo que se comprometia, tirava dúvidas, chegava no horário combinado, me resgatava do bar quando eu tava bêbado, ainda me dava presente maneiro em dia de Inimigo Oculto… TDB. Não demorou muito pro nosso tempo de experiência com ele acabar e começarmos a pagar ele pra trabalhar em projetos nossos. E porra, que resultado. Eu falava com Eduardo que ele me lembrava muito a mim e que um dia esse cara viria a ser CEO da nossa empresa.

Nós seguimos a vida, entramos numa frenesi de projetos, os anos foram passando, e quando estávamos incubados no Instituto Nacional de Tecnologia, era algo perto de outubro, novembro de 2013, ele pediu para sair mais cedo da empresa pois tinha um compromisso. Eu achei muito estranho aquilo. Sei lá, eu sempre observei muito as pessoas e sei quando alguma merda ta acontecendo. Ele tinha cara de “vai dar merda”. Mal sabia eu que duas semanas depois ele viria pra mim dizendo que estava indo trabalhar em outro lugar.

Os argumentos dele eram plausíveis, ele estava para se formar, nossa empresa, mesmo crescendo em faturamento, tinha perdido sua essência ao ter se tornado meramente um escritório de projetos de tecnologia e ele não via para onde a carreira dele poderia deslanchar. Ele não sabia para onde estávamos indo e estava preocupado com seu futuro. Well fuck, nem nós sabíamos para onde estávamos indo.

Argumentos válidos ou não, aquele pra mim foi o maior sentimento de morte profissional que eu poderia ter sentido (até aquele momento). Eu lembro de ter saido da reunião com ele com espírito derrotado. Sentei num banheiro do INT e chorei igual criança. Conversei com Eduardo, certo de que eu tinha falhado na minha principal função: “garantir que as pessoas que confiam em mim tenham seus sonhos realizados”.

However… Existe uma falácia e uma verdade sobre o fundo do poço que eu vou compartilhar com você, leitor. Uma falácia, é que eu achava que o fundo do poço não podia ser pior do que estava, e me fodi denovo, porque a saída deste cara liderou uma leva de “eu me demito’s” na empresa. Uma verdade é que em meio a merda, ou você sai da porra da zona de conforto e amadurece rápido ou se fode e morre dolorosamente. Que caminho você acha que escolhemos?

 

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